Compromissos profissionais em Porto Rico não permitiram a visita ao Radiotelescópio de Arecibo em uma data mais adequada que não a do nosso retorno ao Brasil.

A agenda teria que ser cumprida à risca: partindo do Aeroporto de San Juan (9:20h), seria feita a viagem de automóvel até o Observatório (previsão de 1h40m de duração). Lá, seria aguardado o início do horário de visitas (de quarta a sexta-feira somente permitidas de 12:00h até as 16:00h). Como necessariamente deveríamos estar de volta ao Aeroporto às 14:00h, teríamos no máximo 45 minutos disponíveis para a visita às instalações do Radiotelescópio.

Partindo-se do aeroporto, chega-se ao Observatório seguindo-se para noroeste, pela rodovia 22, a qual é muito bem conservada - condição mínima exigida, aliás, tendo em vista os vários postos de pedágio nela existentes.

Chegando na cidade de Arecibo, tomamos a direção Sul (estradas 10 e 635), sendo essa última (e bastante estreita) rodovia de mão dupla a que leva diretamente ao topo da serra onde se localiza o Observatório.

A sinalização do caminho a ser tomado nem sempre é clara, à partir do início da subida. Tivemos que, algumas vezes, tomar informações com habitantes da região.

No livro (e no filme)filme "Contacto" é mencionado que os moradores locais referem-se ao Radiotelescópio como "El Radar", o que é verdadeiro. Ninguém sabia onde ficava o "radiotelescopio", mas à menção do "radar" a resposta era imediata.

A vegetação do local é lindíssima, e a primeira visão do Observatório, encravado no topo da elevação culminante da região, e com sua cor branca acinzentada contrastando com o verde da mata, tornou-se em um evento inesquecível.

A espera de uma hora até a abertura dos portões do observatório para os visitantes forneceu uma pequena amostra do clima imprevisível da região: durante 60 minutos, tivemos sol forte, chuva e ventos frios, alternadamente.

Para que seja alcançado o mirante, a gift shop e o museu interativo é necessário que o visitante submeta-se a uma "suave"escadaria de (exatos) 500 degraus. Estrategicamente, a meio caminho da subida, existe um quiosque vendendo refrigerantes...

A (acanhada) loja do Observatório comercializa vários tipos de objetos, como livros, coleções de slides, camisetas, canecas(mugs) e gadgets low-tech, e em minha opinião poderia ter um estoque maior e mais variado de itens. Ficou claro que o público-alvo da loja são estudantes dos níveis primário e secundário, bem como o público leigo.

O museu apresenta uma exposição interativa com recursos de multimídia, em vários painéis temáticos, os quais apresentam noções básicas de Astronomia, Química e Física e de ciências naturais em geral. No auditório, uma apresentação semelhante às realizadas em planetários também pode ser assistida. Igualmente, vários meteoritos, recolhidos em várias partes do mundo, encontram-se em exposição no museu.

A visão do radiotelescópio à partir do mirante foi, é claro, o ponto alto da visita. O prato possui um diâmetro de aproximadamente 300m, sendo inviável a obtenção de uma foto de toda a estrutura (a partir do mirante) a não ser, provavelmente, que utilize-se uma lente grande angular. Uma referência das dimensões do prato pode ser obtida nesta foto. Um funcionário do Observatório estava a prestar manutenção no prato, e podemos observá-lo agachado, vestindo um calção azul, próximo da abertura existente no ponto central da parabólica.

Como é sabido, a parabólica de Arecibo é fixa, com montagem em balanço. Assim, o processo de 'focalização' é realizado através da movimentação dos receptores, através de um enorme conjunto guindaste/gruas. O acesso dos técnicos aos receptores é feito através de um teleférico, conforme pode ser visto nesta foto. O tamanho comparativo do teleférico (e seus ocupantes) e da estrutura é também percebido na imagem.

Uma pista circunda a parabólica, sendo no entanto o acesso a ela fechado aos visitantes (pelo menos para os não-vips, obviamente meu caso).

Igualmente não foi permitido o acesso ao centro de controle do Radiotelescópio.

 

E, para os fãs do seriado Arquivo X, informamos: apesar das intensas buscas que efetuamos, o Agente Mulder(*) não foi encontrado, eventualmente esgueirando-se pela mata que circunda o Observatório.

(*)Esclarecimento: no episódio "Little Green Men" Mulder vai até o observatório, o qual estava abandonado(!). Arrombando uma porta, penetra no interior do prédio, e descobre pilhas de listagens de impressora contendo uma série de sinais decodificados, aparentemente de origem inteligente e extraterrestre...em benefício do roteirista desse episódio, não iremos considerar essa parte do enredo como um exagerado absurdo, porém tão somente como "licença poética"...

 

Todo o material deste artigo ® para Fernando Walter , junho/2000.

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